O último texto teve alguns comentários, todos extraordinariamente importantes. Quase parece que inventei três personagens e escrevi em seu nome: da Isabel, da Rute e do Miguel. Mas não, são pessoas que tal como eu entendem a importância da educação e/ou têm a sorte de viver o mágico crescimento dos seus filhos.
A Isabel fez um pequeno comentário com um enorme significado. O facto de termos passado de um extremo a outro no que concerne à forma como os castigos físicos, e outros, são olhados pela nossa sociedade. Passamos de um tempo em que a violência física era corriqueira para um tempo onde, para uma significativa falange da nossa sociedade, qualquer tipo de castigo sobre uma criança é olhado com reprovação, ao ponto de em algumas sociedades haver movimentos no sentido de proibir por lei qualquer tipo de castigo físico sobre as crianças (veja-se o caso inglês, com o escritor Salman Rushdie).
O comentário da Rute é mais longo e como tal foca muitos pontos de extrema importância e relevância. Primeiro, a questão sobre a idade em que se começa a educar os filhos. Não te preocupes Rute por acharem ridículo uma criança ter regras aos quatro meses de idade. Acredito que a educação de uma criança começa à nascença e, infelizmente, as pessoas que consideram esta visão ridícula acabam por sofrer sob diversas formas, assim como a criança, com o facto de menosprezarem a capacidade das crianças serem educadas em tão tenra idade. Outra das questões que a Rute foca, esta mais prática, é o facto de algumas crianças dormirem no quarto com os pais até tarde o que coloca em causa a convivência saudável do casal, se não mesmo, por vezes, o casamento. Para além dos problemas que coloca ao casal, normalmente infringe sofrimento desnecessário à criança quando, por fim, lhe retiram algo que ela vê como dado adquirido. Por outro lado, se tivéssemos permitido que a nossa filha dormisse na nossa cama durante a noite, hoje em dia ela não teria o prazer, ou pelo menos não seria tão significativo, de se levantar nas manhãs do fim-de-semana e enfiar-se a dormir na cama connosco. Depois, ainda no seguimento da questão das dormidas, frisou duas dificuldades enormes: uma muito grande, o deixá-los chorar quando o choro é só uma tentativa de não dormirem sozinhos nas suas caminhas (pois apesar de nós pais sabermos que é pelo bem deles - e isto posso afirmá-lo porque hoje em dia temos duas crianças com quatro e dois anos que vão para cama a horas decentes, para dormir, sem ser necessário efectuar ginásticas brutais para os adormecer, bastando deitá-los e eles ficam sossegados, porque assim estão habituados, e sabem que, quando os pais assim o entendem, é hora de irem dormir - custa imenso ouvi-los chorar); e outra dificuldade ainda maior, mesmo brutal: a de outras pessoas interferirem na educação que se dá aos filhos, muitas das vezes à revelia dos próprios pais que, por educação, tentam gerir a situação de uma forma o mais suave possível. No entanto, nem sempre é fácil, porque as crianças, sentindo nessas pessoas aliados para fazer o contrário do que os pais pretendem, se aproveitam, dificultando mais essas situações. Sei que essas pessoas não o fazem por mal, mas, se soubessem o mal que fazem com tais atitudes, estou certo que passariam a ter outra forma de acção. Pessoalmente, sempre que um pai ou uma mãe estão numa situação complicada com um filho tento transformar-me no homem invisível, não interferindo de qualquer forma (a não ser que me peçam para o fazer), pois sei os problemas adicionais que uma interferência exterior, seja em que sentido for, traz a esse pai ou mãe. A Rute fala também dos hábitos alimentares. Não poderia estar mais de acordo com ela também neste ponto. Quantos pais criticam os filhos ou porque não comem à mesa com eles, ou porque só comem se estiverem a brincar, ou porque só comem a ver televisão, etc.. Resumindo, criticam os filhos porque estes não estão habituados a sentar-se à mesa e pura e simplesmente partilhar calmamente uma refeição com a família, algo que pode e deve ser um prazer. No entanto, se formos ver os hábitos que foram incutidos nestes garotos desde bebés, facilmente se compreendem as razões pelas quais eles não são aquilo que os pais desejam… eu não teria coragem de por o defeito nas crianças, neste caso.
Por fim, um pequeno comentário do Miguel, mas que me obrigou a escrever este texto com a maior brevidade possível. A verdade Miguel, é que os meus filhos não são diferentes de todas as outras crianças… são terroristas como as tuas, pois estão na idade de fazer certas “patifarias”(ainda hoje nos riscaram o sofá, de ponta a ponta, os dois, numa cumplicidade invejável). O problema não está nas crianças fazerem asneiras, na verdade todas fazem. O problema está na forma como agimos perante tais acontecimentos. Caso as crianças não tivessem certos comportamentos não seria necessário educá-las. Aquilo que muitas pessoas vêm como comportamentos indevidos, nós vemos como oportunidades de educar os nossos filhos, para evitar que tais comportamentos se repitam. Mesmo assim, eles não cessam de um momento para o outro ou de uma forma permanente. Mas diminuem e, por outro lado, o facto de os combatermos (seja de que forma for) ajuda a criar nas crianças um conjunto de normas e regras seja de ordem moral, seja de ordem social. No fundo, ainda bem que os nossos filhos são uns terroristas, porque sem este factor nunca os poderíamos educar. Para terminar este ponto devo dizer que acredito que, de facto, as crianças têm feitios diferentes, logo, umas serão mais difíceis de educar que outras sobre determinados aspectos, no entanto, creio que não devemos confundir feitio com educação. Nunca poderemos usar o feitio da criança como forma de demissão do nosso papel de educadores. Deste modo, Miguel, como homem que acredita na educação que és, deves agradecer pelos teus filhos serem uns terroristas, estão a abrir portas para a formação das suas personalidades. E estou certo que daqui a uns anos, mesmo que não o digam, estarão agradecidos aos seus pais pelas pessoas que deles fizeram.
Que distraída sou! Tenho passado por aqui, mas como o título deste post é (quase) igual ao do anterior, pensava que andava abandonado pelo autor e, afinal, é um 2º post! (Só agora reparei)
O comentário da Rute, aqui focado, fez-me tanto lembrar de quando as minhas filhas eram pequeninas (hoje já sou avó)! Destaco especialmente a importância de os deixar chorar (por muito que custe) quando sabemos que não estão com fome nem com dores, mas com "manha" (digamos assim, para simplificar). E isto, com os pequeninos, até não deixa de se ligar com a questão de também deixar chorar (ou protestar com mil e um argumentos) quando é preciso punir os maiorzinhos - a tal punição que passou para muitos pais para o "outro extremo", a ideia de que punir (justa e adequadamente, claro) é traumatizar.
Isabel
Estou abismada com esta forma de pensar: "educar" um bebé de 4 meses!! Deixá-lo chorar porque está com "manha"!
Paremos um pouco para pensar. Abramos um pouco os nossos horizontes mentais.
Um bebé acaba de passar 9 meses no quentinho, na barriga da mãe. Ele nasce com necessidades das mais básicas que há: comer, dormir e RECEBER CARINHO, SER ABRAÇADO.
Ou talvez achem que um bébé deve ter a independência e a maturidade de uma criança de 10 anos (e mesmo assim)?
Por favor tentem pôr-se no lugar de um bebe desta idade, ou pelo menos imaginar como será. É uma barbaridade, e peso cada letra desta palavra, deixar chorar um bebe minutos a fio só porque sim, porque assim não se tornará independente. Fi-lo alguams vezes, instigada por pessoas bem-intencionadas que mais não fizeram que repetir-me aquilo que ouviram e aquilo que fizeram, mas apercebi-me do meu erro.
Dei IMENSO colo à minha filha, hoje com 14 meses, inclusivamente contra a opinião de muitos pediatras, também eles bem-intencionados mas encerrados no sistema vigente "um-bebe-deve-aprender-a-tornar-se-independente-logo-que-nasce" e hoje não é uma criança dependente do meu colo.
Quando uma criança recebe todo o carinho de que precisa, e aqui incluo o famoso colo quando choram "sem razão", ela depois sentir-se-á segura e não duvidará do amor que sentimos por ela, tornando-se assim independente por ela própria.
É preciso mantermos uma mente aberta e o espírito crítico, nem que isso signifique irmos ao contrário daquilo que todos nos dizem, inclusivamente os nossos pais.
Por favor façam esse exercício e reflitam no que sentirá uma criança de meses, que não tem capacidade de raciocínio, quando chora e ninguém vem ter com ela.
Sendo este último comentário importante (por diversas razões), o mesmo teve direito a um texto colocado no corpo do blog em 12/08/2007.
Afixado por: andrepacheco em agosto 13, 2007 01:50 PMkyYJYi ambctvlyetua, [url=http://qqaohlecfplj.com/]qqaohlecfplj[/url], [link=http://vrbfsrxhtbcz.com/]vrbfsrxhtbcz[/link], http://fcxofcflygbn.com/
Afixado por: gisdddzmo em agosto 30, 2009 01:33 AM