setembro 19, 2005

“Inventem-se novos pais IX” – Quando eles começam a movimentar-se (os meus pequeninos)

Mais de dez meses depois, eis que volto a um tema que, infelizmente e por variadas e inúmeras razões, só agora pude retomar. No último texto dedicado à educação em meio familiar (oito de Novembro do ano transacto) reflecti sobre diversas atitudes no que concerne à forma de lidar com os educandos quando estes começam a movimentar-se pela casa, nomeadamente no que diz respeito às regras de manuseamento dos objectos do “mundo dos adultos”. Nesse texto deixei a promessa de que iria escrever seguidamente sobre o nosso caso; meu, da minha rapariga e dos nossos dois pequenos: a Alice e o Marcos. Aqui estou para cumprir o prometido.
Na altura do texto anterior, só tinha lógica falar sobre a Alice, pois o Marcos tinha então um ano de idade, o que não era ainda significativo para este tema. Porém, vai fazer no mês que se avizinha dois anos e, deste modo, poderei falar sobre os dois. Na verdade, a postura que tivemos foi idêntica para os dois filhos. Quase poderia falar só sobre um deles, o que não é totalmente verdade, pois se nós tivemos a mesma postura com os dois, sendo eles diferentes, reagiram de modos um pouco diferentes.
Em relação à nossa postura, ela foi, e é, muito simples. Quando começaram a movimentar-se livremente pela casa, cada um na sua altura, verificaram que havia vários objectos que até então desconheciam. É óbvio que não sabiam o que eram, ou que não era suposto manuseá-los, sobre o risco de os danificar ou, pura e simplesmente, por que não eram adequados às suas idades, pois aquilo para que serviam era-lhes totalmente desnecessário e/ou desconhecido. Assim, das primeiras vezes que se aproximaram de tais objectos com o intuito de lhes pegar ou mexer, ouviram um calmo, doce e autoritário “aaaaah, não se mexe”, o que, inicialmente, os impediu de completar os seus intuitos. No entanto, umas vezes depois, tanto um como o outro, experimentaram ignorar aquela frase que significava a negação dos seus intentos. Neste momento, quando realizaram a ordem contrária à presente na frase ouvida, eu e a mãe optámos por atribuir uma pequena palmada na mão utilizada na infracção, juntamente com a repetição, no mesmo tom inicial, da mágica frase. Quando tal começou a acontecer, ouve várias reacções ao sucedido: alguma surpresa, somente das primeiras vezes, por vezes aceitação, e noutras vezes o choro provocado pela frustração dos seus intentos terem sido gorados. Aquando do choro, nós, os pais, simplesmente o ignorávamos de modo que a criança pudesse viver, sentir e ultrapassar a dita frustração (só assim se aprende a lidar com as mesmas, que irão ser muitas ao longo das suas vidas). Por outro lado, estes momentos de frustração tornaram-se cada vez mais rapidamente absorvidos, fruto das aprendizagens acontecidas. No caso em que os pequenos, apesar da palmada, repetiram a atitude demonstrada, voltaram a ter uma palmada, um pouco mais forte, com contínua companhia da referida frase. É óbvio que tal procedimento não fez com que os pequenitos tivessem imediatamente apreendido qual o comportamento correcto a ter, é algo que demorou, que por momentos parecia não resultar, quase nos provocando frustração e dúvida. Mas, com persistência e coerência tal modo de operar deu os seus frutos, tendo agora nós duas crianças que não mexem onde nós dizemos para não o fazer, estejamos nós onde estivermos, o que evita muitos aborrecimentos entre nós e o que transformou as nossos crianças em seres equilibrados que compreendem que não podem mexer onde quer que lhe apeteçam, não lhes causando tristeza pela facto de não o poderem fazer. Isto não quer dizer que sejam uns “anjinhos”, que não façam as suas travessuras como qualquer outra criança. Quando nos apanham distraídos são capazes de mexer onde sabem que não devem (mais o Marcos, pois ainda não tem dois anos), fruto da natural curiosidade de criança. O importante é que compreendem que “nem tudo é deles”, que existem regras de convivência neste ponto e, mais importante, ajudou-os a aprender a respeitar a natural autoridade dos adultos.
Se a avaliação de um procedimento for realizada pelo seu produto final, tenho de considerar que este procedimento foi bem pensado e praticado. No entanto, não se pode dizer que seja o melhor ou o único para obter bons resultados. Penso que haverá muitas formas de obter o mesmo resultado. Alguns aspectos do nosso procedimento até poderão ser errados. Penso é que será importante que todos os educadores optem por uma forma minimamente viável de educar os filhos neste aspecto e a ponham em prática, pois se parece correcta deverá ser levada até ao seu término para que produza resultados. Na educação, penso que é consensual que não há receitas rápidas para o que quer que seja.
Para terminar, a parte do nosso procedimento mais polémica é a parte da palmada, do efeito físico do comportamento errado da criança. Já ouvi tremendos disparates sobre esta questão (e digo disparates para não ser mais ofensivo). Já ouvi compararem tal acto com o bater no cônjuge (como se fosse minimamente comparável, a não ser que estejamos a falar de violência sobre uma criança, que não é o mesmo que uma palmada controlada quer física quer psicologicamente, sem gritaria ou momentos de semi-loucura). Já ouvi dizer que, nestes casos (da palmada), as crianças se tornam agressivas, pensando que é com violência que se resolvem situações problemáticas (vão dizer isso à minha Alice, que nunca bate em ninguém e está farta de apanhar traulitadas de filhos dos defensores de tais teorias, o que a deixa extremamente chocada e indignada, pois para ela tal é um acto extremamente errado, tal como nós sempre a tentámos ensinar, que o bater sem qualquer razão para o fazer ou para obter algo é um acto muito negativo e altamente reprovável; para além disso, uma palmada na situação descrita não é um resolver de um problema, é um efeito que os filhos consideram natural quando desobedecem aos pais). Já ouvi outras barbaridades, mas não vou perder tempo a enumerá-las pois tal parece-me desnecessário. A grande questão é que este facto, o bater ou não bater, é uma não-questão. É algo perfeitamente sem valor. É óbvio que o bater descontrolado, aquilo a que se pode chamar violência, é algo extremamente errado, mas falar na conhecida “palmada pedagógica”, discuti-la, penso que é algo desnecessário. O importante é que, com ou sem ela, a criança aprenda que quando comete uma falta há um efeito respectivo, e que por tal facto deve evitar certos comportamentos. De resto, qual o efeito?... penso que cada um deverá pensar num, naquele que lhe parecerá mais correcto e funcional. Vejo que se passa muito tempo a discutir o acessório, neste caso o bater, esquecendo-se o mais importante, o resultado final, a clara e inequívoca pertença da autoridade (não autoritarismo) aos pais. Talvez seja uma boa forma de justificar o fracasso, não sei…

André Pacheco

Publicado por asampacheco em setembro 19, 2005 10:37 PM
Comentários

Creio que toca na qustão do bom senso versus falta de senso, nas passagens do 8 para o 80. Assim como a necessária denúncia da violência física sobre a criança levou à crítica da "palmada pedagógica", também já nem sei bem que argumentos levaram à abolição de castigos, como por exemplo a privação de um lazer como consequência justa do não cumprimento dos deveres escolares (referindo-me agora a idades seguintes), etc. Em suma, a passagem do autoritarismo para a demissão de educar.

Afixado por: IC em setembro 21, 2005 09:23 PM

Errata: "questão", não "qustão"

Afixado por: IC em setembro 21, 2005 09:26 PM

É um facto Isabel, passou-se de um extremo a outro. Pergunto-me qual dos dois será mais destrutivo no que concerne à formação da personalidade das nossas crianças...

Afixado por: andrepacheco em setembro 22, 2005 08:52 PM

Tropecei aqui por acaso ... e gostei do que li!
Tenho um bebé de 4 meses e muita gente à minha volta que acha ridiculo que já existam regras.
Primeira questão: Na nossa casa, existem dois locais cujo a privacidade é sagrada. A casa de banho e o quarto.
Quanto à 1ª, bem ... ele ainda usa fraldas! Na 2ª, não pretendo criticar ninguem ... mas se ainda acho aceitável dormir na caminha mas no quarto dos pais durante alguns meses, já anos considero um exagero e então dormir na cama dos pais e chegar a explusar o Pai da cama como em alguns casa que conheço acho inadmissivel!!! (mas coo é claro a mimha opinião não interessa).
No nosso caso, concordamos que a ficar no nosso quarto seria exclusivamente pela minha preguiça, enquanto Mãe, de me levantar para o alimentar. Preferi não me dar a esse luxo e o André dorme no quarto desde da 1ª noite. Nunca seria agora, que ele já sorri e faz aquela carinha de Bamby que seria capaz de o mudar!!!
Só outros Pais como nós sabem o que custa ouvi-los a chorar (e quase bater nas visitas para não os irem pegar ao colo, mas hoje ele adormece sózinho e dorme pelo menos 8 horas seguidas mais 4 logo a seguir ao leitinho.
Enfim .. a minha função é educar, não ser o seu melhor amigo!!!
A papinha ... come bem ... tambem evito os estimulos exteriores como a TV ... se não come sem birras tambem não tem direito à minha simpatia ... e acho que ele percebe.
Outras das regras: Se te portas bem, vamos passear à tarde (tb é bom para mim, para manter a sanidade mental de pois de 6 horas de monologos). Mas se choras para ir à rua ... ficamos em casa!
O André tb já se senta à mesa connosco e fica calminho enquanto comemos, nunca lhe pegamos ao colo enquanto estamos na mesa ... não que que daqui a pouco tempo ganhe o habito e como criança que é, ponha as suas mãos no meu prato, agarre uma faca ou qqr outro objecto perigosos em cima da mesa (é que na posição em que o adulto está ele poderá levar virtualmente tudo à boca sem que eu possa reparar!).
Quando ele começar a tentar pegar no que não deve ... acho que o vosso metodo é bom ... vou definitivamente tentar!!!

Obriagada, pelo menos para saber que não estamos sózinhos no mundo!!! E que não somos ET's por achar que desde dos 0 anos eles já estão a ser educados!!!

Afixado por: Rute Silva em outubro 10, 2005 01:37 AM

Pois é André, se tivesses os meus dois terroristas estavas lixado, a Biatriz, raramente parte, mas todos os dias mexe onde não deve. O Diogo mexe muito e parte muito...tou lixado, mas o que queres, são meus e adoro-os

Afixado por: Miguel Sousa em outubro 17, 2005 12:06 AM

O site e os três blogues são interessantes.
Mas este sobre educação é um pouco obsessivo na defesa do direito de os pais baterem nos filhos. Em vez de passar a vida a bater, não seria preferível fazer o que os outros pais fazem: desviar os objectos perigosos e frágeis, comprar protecções para as tomadas, gradeamentos, etc.?
Talvez o André Pacheco tenha apanhado muito na infância. Mas não lhe serviu para recordar que não se escreve "haverão", mas sim "haverá".

Afixado por: José em dezembro 23, 2005 09:34 PM

Estava navegando na net, procurando alguma materia que falace sobre palmadas na mão, mas procurando materias que falace dos efeitos fisicos, pois me disseram que não presta bater nas mão pois correm varias veias arterias e poderia ocasionar em lesões graves estava procuram alguma coisa neste estilo e acabei achando esta materia que diz tudo sobre "palmadas educativas" que como considero esse ato feito com conciencia sem exageros e explicando o porque das palnmadas, sou extremamente contra o espancamento, e exeços com crianças e mulheres.
Tenho um linda filha de 1ano e 5 meses ela esta na fase de descobrimento tudo o que ela ve ela quer pegar, eu não a proibo, se for um objeto fragil que pode quebra fico junto dela até que a sua curiosidade passe e digo que ela naum pode pegar, é logico que ela naum vai entender de primeira mas é um começo, mas de vez enquando ela comete atos que tenho que reprimir com palmadas, tipo quando ela bate na minha esposa ou em mim, primeiro falo pra ela: " não pode bater no papai e nem na mamãe" as vezes funciona de primeira sem precisar brigar ou bater, mas as vezes tenho que brigar falar alto impor respeito, e infelismente as vezes tenho que lhe dar palmadas em sua mão dai ela para, tem resolvido SIM, pois atualmente nós (eu e minha esposa) só precisamos no maximo falar alto que ela nos obedece e o mais importante sem ficar com medo de nós pois mesmo depois de uma repressaõ ela continua a brincar conosco, e assim vou fazer para educar minha filha, conversar, brigar, e dar palmadas se for necessario.
Acho que os politicos estão confundindo bater com expancar, tem pais que expancam seus filhos agindo com exagero este tipo de atitude eu repudio e se fizer na minha frente eu não fico parado, mas tem pais concientes e preocupados em dar uma boa educação (como eu tive)tem que bater nos seus filhos no intuito de educar e dar limites seja com palmadas chinelos ou até varinhas estão sendo colocados no mesmo saco que esses animais que espancam seus filhos. Ou seja se minha filha (quando estiver maior é claro) me faltar com respeito com certeza vou reprimila e se voltar a repetier eu terei que bater nela, veja o ridiculo que chegamos, batendo nela poderei ser preso pois essa politica brasileira que é uma palhaçada (que me perdoe o palhaço carequinha, pela comparação)esta misturando tudo ou seja ela podera crescer me chingando fazendo o que quer que por culpa dessa politica naum poderei fazer nada.
È RIDICULO.

Afixado por: Roberto em abril 10, 2006 05:32 PM

como faço para educar minha filha que depois de comer tem que dormir

Afixado por: paula em junho 5, 2007 11:49 AM
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