janeiro 28, 2006

“Inventem-se novos pais XI – O direito de bater dos pais”

Tenho de começar este texto com um pedido de desculpa ao José, autor deste comentário a um dos últimos textos (comentário efectuado a 23 de Dezembro), pelo facto de só agora escrever algo relacionado com o mesmo. Não o fiz por falta de vontade. Na verdade, só agora li o comentário, não tendo eu tido tempo para manter o blogue actualizado. Tendo em conta a importância do comentário do José, irei agora escrever algo sobre o mesmo.
Creio poder dividir o comentário em duas partes (pedindo mais uma vez desculpa ao José caso não concorde com esta divisão): uma primeira parte bastante interessante («O site e os três blogues são interessantes. Mas este sobre educação é um pouco obsessivo na defesa do direito de os pais baterem nos filhos. Em vez de passar a vida a bater, não seria preferível fazer o que os outros pais fazem: desviar os objectos perigosos e frágeis, comprar protecções para as tomadas, gradeamentos, etc.?»); uma segunda um pouco desnecessária («Talvez o André Pacheco tenha apanhado muito na infância. Mas não lhe serviu para recordar que não se escreve "haverão", mas sim "haverá".»)
Em relação à última parte pouco terei a dizer. Na verdade só poderei comentar a frase «Talvez o André Pacheco tenha apanhado muito na infância», visto que o resto da afirmação é pura e simplesmente uma forma de crítica sarcástica, a roçar a má educação, sem substância ou lógica, estando eu certo de que o José, mal a colocou no blogue, automaticamente se terá arrependido de tal facto, pois quase destrói a credibilidade de todo o comentário (num gesto apaziguador, irei olhar tal frase como uma chamada de atenção pelo erro gramatical por mim realizado, facto que eu agradeço, indo procurar onde tal erro se encontra para o corrigir… no entanto, tenho a dizer-lhe que poderei voltar a realizá-lo, este e outros erros gramaticais, risco que correm todos aqueles que escrevem um texto). Deste modo, em relação ao eu ter apanhado, ou não, devo afirmar que, do meu ponto de vista, tal afirmação é falsa. Só me lembro de ter apanhado duas vezes, apesar de ter apanhado mais vezes numa idade da qual não tenho qualquer lembrança de qualquer situação em que tenha sido castigado desse modo. Tendo em conta tal facto, penso poder afirmar que apanhei as vezes que o justificaram, pois caso contrário teria traumas relacionados com isso. Sei que devo ter sido, por vezes, castigado desnecessariamente do modo referido, tal como por vezes deveria ter sido castigado com um açoite e tal não aconteceu. Tudo isto é compreensível, visto os meus pais serem seres humanos, logo falíveis, que me amavam e queriam o melhor para mim.
Relativamente à primeira parte do seu comentário, já haverá mais a escrever. Primeiro devo fazer uma correcção: eu e a minha companheira desviamos dos nossos filhos os objectos perigosos e frágeis, comprámos protecções para as tomadas e colocámos gradeamentos caso se justificasse. Quando refiro objectos nos quais os meus filhos não podem mexer, apesar de se encontrarem ao seu alcance, falo, por exemplo, de telemóveis, comandos de televisão, leitores de vídeo ou DVD, aparelhos musicais, máquinas de lavar, computadores, gavetas com objectos que não brinquedos, tal como louça, documentos importantes ou de trabalho, etc.. Em relação a este ponto espero ter sido esclarecedor.
Por outro lado, no nosso caso não passámos a vida a bater. O que é óbvio, pois não temos qualquer prazer em fazê-lo. Aliás concordo com o José na crítica a todos aqueles que passam a vida a bater nos filhos. Tal como critico todos aqueles que agem como bananas, não batendo nos filhos de modo algum, diria mesmo, de uma forma obsessiva, preferindo anular-se face aos desvarios imperialistas dos seus rebentos. Ou seja, tal como a obsessão por bater é errada, o seu contrário também o é. Só o equilíbrio será a resposta.
Tendo em conta todos os factos por mim apontados, devo explicar ao José uma coisa: compreendo que ele considere este blogue «um pouco obsessivo na defesa do direito de os pais baterem nos filhos». Tal crítica é lógica, visto tal direito ser uma constante num considerável número de textos nele presentes. Mas o facto de o fazer tem explicação. Tal como me revolta o facto de os nossos pais e avós terem sido, na maior parte dos casos, educados de um modo extremamente violento, diria mesmo a um nível repugnante, também me revolta que hoje em dia se eduque de um modo ridiculamente permissivo, sendo o acto de bater num filho quase considerado crime, e severamente criticado pela sociedade actual, mesmo que tal acto se justifique pelo bem da criança. Por tudo isto, sinto ter a obrigação moral de assumir que, caso considere adequado, não tenho qualquer problema em dar um açoite aos meus filhos (não espancá-los, pois isso é pura e simples violência), de modo a afrontar a mentalidade vigente, e assim fazer as pessoas reflectirem sobre o modo como educam os seus filhos. Por fim, deixo uma questão: reafirmando a minha crítica quer à educação baseada na obsessão pelo bater, quer à educação baseada na obsessão pelo não bater, qual destas duas será a mais destrutiva no que concerne à formação de personalidades desregradas (e, consequentemente emocionalmente desequilibradas)? A de que os nossos pais e avós foram alvo ou aquela de que muitos dos nossos jovens e crianças foram e são alvo?

André Pacheco

Publicado por asampacheco em 08:10 PM | Comentários (13)