julho 24, 2004

Estímulos. Penso que poderíamos começar por aí. A quantidade e variedade de estímulos (e agora, pela lógica, deveria dizer "a que as crianças estão sujeitas", não é?) aos quais os adultos estão sujeitos, o trabalho e suas reuniões fora de hora, as formações, o cotidiano – banco, pagamentos, médicos, exames – a família, os encargos, os amigos, o fim de semana para descansar (?), as leituras obrigatórias, ah, e os filhos. O que é que sobra para os filhos? Quando teríamos alguma disponibilidade para eles, estamos feitos num oito. Eles falam, balbuciam, tentam comunicar, e nós não temos mais disponibilidade emocional nem sinapses suficientes para receber, integrar e elaborar as informações que eles nos estão a dar. Ora, as crianças assim como os adultos, comunicam com quem está disponível para comunicar. Com o tempo, desistem. Precisam de respostas, precisam do olhar atento, amoroso ou/e não, da palavra, da risada ou não, mas de comunicar. Se nos pais não houver esta disponibilidade, a criança procura noutro sítio.
Na televisão, no jogo simbólico solitário, na escola com mais 20 ou 25 colegas, na mesma situação deles. Todos aos gritos, todos sem capacidade de esperar a vez de falar e ouvir, de tentar compreender o outro, incapazes de olhar, porque não são olhados. Ficam sem esquemas de comunicação adequados, não por incompetência, mas por falta de prática.
Crianças mal criadas? Talvez crianças não criadas, crianças tidas. Crianças chatas? Adultos, pais, chatos, por falta de hábito na competência de comunicar.

Espero Reacção.

Joana de Oliveira

Publicado por asampacheco em julho 24, 2004 11:55 AM
Comentários

É isso mesmo Joana, é a nossa eterna dificulade em lidar com o tempo.

Afixado por: Miguel Pinto em julho 24, 2004 12:34 PM