Apesar de ultimamente não ter tido tempo para dedicar a este espaço, uma notícia vinda hoje no O Público, obrigou-me a roubar algum tempo às restantes tarefas para escrever estas míseras linhas, pois sinto-me obrigado a tal.
A notícia tem como subtítulo: "Associação de Famílias Numerosas a favor de exames no 4.º e 6.º ano", e pode-se ler na notícia que «A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas regozijou-se ontem com a intenção governamental de instituir exames nacionais nos 4.º e 6.º anos de escolaridade, por permitir aos pais aferir se os professores foram justos nas notas finais dos alunos.»
Assim, apesar de o exame ser, indiscutivelmente, a forma de avaliação menos rigorosa que há, o mesmo tem o intuito de verificar se a avaliação sistemática e directa realizada ao longo de 4 ou 2 anos (dependendo do ciclo) é a correcta. Para além disso, nem se pode chamar avaliação a um exame, mas sim uma reles e mísera classificação tendo em conta uma dúzia de exercícios sobre uma pequena percentagem dos objectivos da disciplina...
No entanto, dou muito valor às afirmações da citada associação, pois foi das poucas entidades que afirmou claramente qual a única razão para a existência de exames. E atribuo tais afirmações a uma visível ignorância sobre o tema (infelizmente neste país todas as pessoas pensam saber muito sobre futebol e Educação...).
Só lamento é a ignorância de quem decide...
André Pacheco
Publicado por asampacheco em março 6, 2004 11:01 PM Essa ignorância é o "caldo de cultura " ideal
para "germinar" a jogada de branqueamento por parte da àrea do governo lançando sobre a escola
e os professores todas as culpas do estado a que
se chegou.Umas vezes deixa-se transparecer habil-
mente que a formação dos professores é pouco sa-
tisfatória (como se o ministério nada tivesse a
ver com o caso!),noutras ventila-se também com
habilidade que o absentismo docente e a falta de
profissionalismo estão dificultando a mudança e
são um sorvedoro de dinheiro público...
Não admira pois que pais com limitado conhe-
cimento dos meandros da educação,aceitem como
preferivel exames,se eles vierem "pôr a nú e
desmascarar" esses "maus profissionais" que estão
prejudicando os seus filhos e,até,esbanjando di-
nheiro do erário...
Pode ser que esteja a não ver correctamente
mas julgo que não.O pior é que essa "vozearia"
vai aumentar e qualquer dia estamos na esteria
do "bac to basic" que há umas dezenas de anos
assolou os EUA,e que já se manifesta na "caça"
aos "pedagogismos" causa de todos os males da
nação... O neo-liberalismo retrógrado ataca !
O que é que nos resta fazer? As dúvidas de Luiza Cortesão são cada vez mais pertinentes. Ser professor: Um ofício em risco de extinção?
Afixado por: Miguel Pinto em março 7, 2004 11:02 AMMANEL,
Desculpa tratar-te assim,mas acho que o senhorio ou o você entre companheiros de jornada é no míni-
mo rídiculo ou snob.
Quanto à questão que colocaste é bastante perti-
nente.Efectivamente muita gente ainda hoje não nos
reconhece o estatuto de profissão;paralelamente o
poder instituido tem-se encarregado de nos redu-
zir cada vez mais à condição de meros funcionári-
os a quem se atribui como função a execução de técnicas e normas perfeitamente definidas "pelos
experts",isto é por quem percebe realmente de
educação...Adoçam,entretanto esta "pílula amarga"
falando cada vez mais em autonomia das Escolas,
que esvaziam totalmente não disponibilizando os
recursos essenciais ao exercício dessa autonomia
e "afogando" os orgãos de gestão com circulares e normas avulsas que lhe retiram toda a possibi-
lidade de tomar as iníciativas que o contexto em
que exercem impunha.
Esta situação a não ser revertida conduzirá ine-
vitavelmente ao aprofundamento do processo de funcionarização da docência,reduzindo cada vez mais o seu estatuto social,com reflexos dolorosos
nos salários e regalias sociais.
Como reverter a situação? António Novoa há muito
nos aponta o caminho a seguir,afirmando que temos
de assumir a (re)construção da profissão,apossan-
do-nos dos "saberes fazer" da profissão,mas mais
do que isso importa reformulá-los à luz da refle-
xão nas e sobre as práticas pedagógicas e tendo em conta as mudanças que a vertiginosa evolução
da sociedade e os problemas emergentes,não só a-
conselham como impõem urgentemente.
Esta tarefa,já de si ciclópica,teremos de assu-
mi-la contando com oposição activa do poder e a resistência passiva de quem na profissão odeia
tudo que mexa com a paz pôdre e a inércia onde a
sua inépcia e total ausência de profissionalismo
podem passar despercebidos.
Esta a minha opinião honesta e crua,que a muita
gente se afigura politicamente incorrecta e mesmo
reveladora de falta de "camaradagem"...quando falta de camaradagem é,com a nossa ausência de profissionalismo irmos contribuindo para o descrédito da profissão!Já para não falar nas ví-
timas directas destes elementos que erraram na
escolha da profissão!!!