ANDRÉ,
Acertaste no "alvo"!!! O pior inimigo da dignificação da profissão e da afirmação da nossa profissionalidade tem sido exactamente a "renitência" à MUDANÇA, a persistência em rotinas, das quais muitas vezes nem dominamos os fundamentos teóricos, mas às quais nos apegamos qual "buldog" à presa. Acontecendo, inclusive, não poucas vezes que essas práticas rotineiras estão em total e frontal contradição com a filosofia de vida e posições teóricas que defendemos no domínio da educação.
Correndo o risco de exagerar, devo dizer que estou profundamente convencido que a Escola é de todas as instituições governamentais a que menos (para não dizer NADA) mudou nos últimos cem anos. Para tal muito contribuiu o individualismo reinante entre os docentes, que na realidade dá que pensar... Porque será que os professores, mesmo em escolas com muitos docentes, se isolam e demonstram uma quase fobia ao trabalho em equipa? Remoendo sobre as causas de tão estranho, como irracional, comportamento só encontro duas explicações plausíveis:
. Soberba e arrogância que levam o docente a considerar-se superior aos seus pares e possuidor de conhecimentos e práticas muito superiores às dos colegas, as quais querem conservar em exclusivo, recusando frontal e ferozmente partilhá-las;
Ou no extremo oposto...
. Total falta de confiança nos seus conhecimentos e saberes-fazer profissionais, uma auto-imagem totalmente degradada, que leva o docente a fechar-se isolando-se temeroso de qualquer contacto e interacção com os colegas.
Nestas condições todas as reformas passaram ao lado da Escola, daí ser ridículo afirmar-se que os problemas do "ensino" resultam do excesso de reformas e inovações que ali se têm introduzido; sendo que os "culpados" de tais "excessos" são esses "GAJOS das pedagogias e das ciências da educação". Duma assentada (DOIS EM UM) branqueia-se a inépcia ministerial, a total ausência de apoio às Escolas para que as REFORMAS tenham hipóteses de singrar e ARRUMA-SE esses GAJOS que querem por força inovar, inovar, inovar... perturbando a "paz podre dos pântanos", onde a inépcia e a ausência de profissionalismo conseguem passar despercebidos e se sentem como "peixe na água ". A atitude destes maus profissionais não se limita à resistência passiva, vão ao ponto de caluniar e de tentar tramar os colegas que não se submetem ao imobilismo de pântano que querem eternizar.
Se os colegas acham que exagero, abram os olhos e estejam atentos ao que se passa à vossa volta... depois digam-me alguma coisa.
José Pedro Pais