Julgo consensual e generalizada a opinião de que, como causas principais do insucesso e abandono escolares, se colocam à cabeça a Língua Portuguesa e a Matemática. Aliás conversando com crianças ou jovens e auscultando a sua opinião sobre as dificuldades e obstáculos ao seu sucesso como alunos acabamos por tirar qualquer dúvida que tivéssemos a esse respeito.
Paradoxalmente, se nos dermos ao trabalho de dar uma vista de olhos pelas ofertas de Formação Contínua de Professores que, de norte a sul do continente, são postas à disposição dos docentes, verificamos, com espanto, que temas como "Iniciação da leitura e da escrita"e a área da matemática brilham pela ausência quase total.
É algo estranho quando se constata o crescendo de queixas, vindos de todos os quadrantes, relativamente às dificuldades que crianças e jovens revelam a nível da interpretação do texto escrito. Havendo mesmo quem afirme que cada vez são menos os que se podem considerar como leitores de nível aceitável, ao invés do número de maus leitores que não pára de crescer.
Com a matemática passa-se exactamente o mesmo. As acusações apontam no sentido da quase nula capacidade de cálculo dos alunos, com reflexos na resolução dos exercícios mais simples; mas aqui com a agravante da incapacidade de interpretar os enunciados impedir que os alunos apliquem conhecimentos que, postos à prova oralmente, se revela dominarem.
Ocorre perguntar: que se passa, afinal, para este intrigante desencontro entre o que são os problemas e necessidades detectados no terreno e a oferta de formação que é feita aos docentes?
José Pedro Pais