Na sequência do meu último texto surgiu a questão num comentário: e vamos continuar assim quantos anos?
Pela experiência de outras escolas, que começaram a trabalhar em lógica de ciclo e não de ano de escolaridade, tal como preconizado na Lei de Bases do Sistema Educativo, este facto nasceu de uma vontade comum, de uma contínua reflexão e de um grande empenho por parte dos professores e encarregados de educação. É óbvio que os primeiros foram o motor desta locomotiva e que os segundos, observando a evolução positiva da escola dos seus educandos, deram o seu contributo fundamental para a solidificação dessa "nova" escola.
Com estes exemplos só posso concluir que a classe docente de uma escola acaba por ser muito importante, não só em termos de qualidade individual de cada docente, mas sobretudo na sua capacidade de trabalhar em equipa. Esta ainda será a grande dificuldade dos docentes. As razões para tal facto são diversas. Umas prendem-se com a qualidade individual de cada professor, isto é, quando um professor ou não gosta do que faz, ou não é um bom profissional, nunca irá trabalhar em equipa, pois só o termo trabalhar interfere com o seu bem-estar. A existência destes praticamente anula qualquer possibilidade de haver trabalho em equipa, pois tal como é penoso e cansativo trabalhar com alunos pouco empenhados e preguiçosos, o mesmo acontece ao trabalhar com professores com essas características. As outras razões estão ligadas à tradição desta organização escolar. Poucos de entre os novos ou futuros professores conhecem escolas diferentes das tradicionais. Como tal, a maior parte não se interroga se a mesma tem lógica, se não se poderia trabalhar de outras formas. Muitos destes são indivíduos com uma capacidade de trabalho espantosa, com uma grande dedicação à sua profissão, com satisfatórios resultados (comparativamente) neste molde de escola, mas que poderiam chegar muito mais além.
Muito mais haveria a escrever, mas tal ficará para outro dia.
André Pacheco
Na minha escola - Abranches Ferrão em Seia - a percentagem de sucesso a matemática tem sido, nos últimos anos, da ordem dos 67%
A esse propósito escrevi há tempos, este texto:
http://joaotilly.weblog.com.pt/arquivo/cat_ensino.html#035830
que foi seleccionado para a rubrica: leitor com opinião do Expresso.
Veja se concorda.
J. Tilly
As práticas colaborativas não dispensam o trabalho individual. Numa escola tradicional/unidimensional a balcanização no ensino favoreceu o isolamento e o individualismo. Talvez por essa razão, alguns professores ainda resistem ao trabalho cooperativo. O que fazer?
Afixado por: Miguel Pinto em fevereiro 12, 2004 06:23 PM