No dia dois de Outubro, uma quinta-feira, o director de turma entrou na escola, quando ouviu uma voz chamá-lo: era a nossa aluna. Num primeiro momento, o director de turma ficou surpreendido e satisfeito de, por fim, a aluna se ter dirigido a ele, visto eles sempre se terem dado muito bem, mas, num segundo momento, a razão pela qual a aluna o chamou já não foi tão agradável para si. A aluna, que se fazia acompanhar de duas colegas que continuaram a andar enquanto o director de turma e a sua antiga aluna conversavam, parando à espera da sua colega a cerca de vinte metros desta e do seu professor, aproximou-se do professor, visivelmente satisfeita, cumprimentando-o, e mostrando-lhe os livros do décimo ano. O choque tomou conta do director de turma. Respirando fundo, o director de turma perguntou à aluna o que se tinha passado. Esta respondeu-lhe que a direcção regional lhe tinha dado razão, corrigindo a injustiça que a professora de Língua Portuguesa lhe tinha feito. Tendo a perfeita noção que tal injustiça era totalmente falsa, pois ele era conhecedor dos factos, ouvir tal disparate, de alguma forma, incomodou ainda mais o director de turma. No entanto, este manteve a calma, pois verificou que a aluna não sabia do seu envolvimento no caso, e que estava única e exclusivamente a dar uma boa nova a um professor com quem tinha um bom relacionamento. Sendo assim, o director de turma disse-lhe que estava dentro de todo o processo (o que a surpreendeu), que sabia que não havia qualquer injustiça na sua avaliação e, que por muito que gostasse dela, como de resto o faz com qualquer um dos seus alunos (ou antigos), lhe tinha de dizer que em todo este processo parecia haver qualquer irregularidade, mais precisamente alguma “cunha”; não o podia provar, obviamente, mas suspeitava fortemente de tal possibilidade. A aluna ficou um pouco magoada com estas palavras, dizendo que se o professor realmente gostasse dela nunca diria tal coisa. O director de turma contrapôs que ela sabia perfeitamente que tal carinho era verdadeiro, e que sendo ele sincero com as pessoas, ainda mais com as que tem algum relacionamento, teria de lhe dizer aquilo que realmente pensava.
Estando a aluna com pressa, ambos concordaram que ainda tinham muito a falar sobre o assunto, combinando conversar noutro dia. Convém ainda afirmar que, apesar do assunto ser extremamente delicado, a conversa foi mantida num tom calmo e respeitador por ambos os intervenientes.
(Cenas do próximo episódio: o director de turma contacta a anterior escola para conversar sobre as últimas novidades.)