dezembro 20, 2003

História macabra - Episódio 8

Na reunião de reapreciação da avaliação de final de ano da nossa aluna, a revolta e espanto do director de turma estendeu-se ao conselho de turma. Não pelo pedido em si, mas pelos moldes em que foi feito, e pela falta de qualidade do mesmo, miseravelmente argumentado, calunioso, e até disparatado (ao ponto da turma da aluna estar errada). Apesar deste último erro, de carácter formal, ser suficiente para a não realização da dita reunião, o conselho de turma optou por um caminho mais sensato, apreciando, reflectindo, e comentando os argumentos apresentados pela encarregada de educação. Tendo em conta a fragilidade da argumentação, bem como algumas falsidades aí incluídas, o conselho de turma optou pela manutenção da avaliação da aluna decidida na reunião de final de ano, contrariando todos os argumentos apresentados pela mãe da aluna.
O Conselho Pedagógico, após apreciar o processo de reapreciação, concordou com o conselho de turma e, consequentemente, a aluna manteve a não aprovação, decisão que foi transmitida à encarregada de educação, incluindo os documentos referentes ao processo de reapreciação.
Poucos dias após estes acontecimentos efectuaram-se as matrículas. Para efectuar as matrículas da turma da nossa aluna foram indigitados o director de turma e um outro professor da turma. Sendo a turma muito grande, e comparecendo muitos alunos e encarregados de educação na abertura das ditas matrículas, os dois professores não tinham mãos a medir... Para além disso, outras questões extremamente importantes tinham que ser resolvidas pelo director de turma, o que fazia com que este por vezes tivesse que se ausentar da sala onde decorria o processo de matrículas, andando a correr pela escola fora como um misto de uma barata tonta e do coelho da Alice no País das Maravilhas... No meio deste corre-corre, o director de turma foi à sala das matrículas, na procura de uma pessoa. Chegou à porta da sala e observou a mãe da nossa aluna a falar com o outro professor com um modos extremamente mal-educados, ao ponto do outro professor quase não responder, tal era o seu choque. Quando a mãe da nossa aluna viu o director de turma, automaticamente, calou-se. Como a pessoa que o director de turma procurava não estava na sala, este deu meia volta e continuou a sua procura. Poucos minutos depois, quando o director de turma tinha já terminado de tratar a quase totalidade dos outros assuntos, podendo dedicar-se inteiramente ao processo de matrículas, no caminho para a sala onde estas se realizavam, apareceu a mãe da nossa aluna, novamente com maus modos, a dizer que tinha de ir trabalhar, logo, estava com pressa. O director de turma terminou rapidamente a conversa respondendo-lhe que estava ali desde as 8:30 da manhã e ainda não tinha parado. Já na sala, e tendo em conta que a senhora não era a primeira dos que estavam à espera, o director de turma perguntou aos que estavam à frente da mãe da nossa aluna se não se importavam de que ela fosse atendida primeiro, visto estar com pressa, demonstrando à mãe da nossa aluna que há formas de vivência em sociedade que devem ser respeitadas. Deve-se acrescentar ainda que a nossa aluna, também presente na sala, não conseguiu olhar nos olhos do director de turma, só lhe dirigindo a palavra quando este a cumprimentou.
Mais tarde, quando já ninguém estava na sala, o director de turma e o outro professor comentaram o incidente, ficando o director de turma a saber que, quando a mãe da nossa aluna chegou à sala, se pôs a perguntar onde estava o director de turma, pois queria falar com ele sobre a avaliação da aluna, etc., coisa que, de facto, não fez.
Neste dia houve unicamente mais um acontecimento a registar, mas sem importância para a nossa história. A outra encarregada de educação que ponderou pedir reapreciação da avaliação do seu educando, não o fazendo entretanto, teceu comentários sobre a injustiça dessa avaliação, colocando em causa um professor do conselho de turma, extremamente empenhado e profissional, o que, tendo em conta os acontecimentos anteriores, enfureceu o director de turma que, sabendo que o dito professor estava na escola, perguntou à encarregada de educação se não preferiria falar directamente com o mesmo, ao que esta se negou e a conversa ficou por aí.

(Cenas do próximo episódio: a Direcção Regional de Educação entra na nossa história...)


Publicado por asampacheco em dezembro 20, 2003 11:19 PM
Comentários