Na reunião de avaliação observou-se aquilo que era já esperado: cerca de metade dos alunos ficaram não aprovados (caso único na escola). De todos os casos de não aprovação, somente quatro deram lugar a uma maior discussão, pois eram casos de alunos que, caso tivessem menos um nível inferior a três, conseguiriam aprovação de final de ciclo. A nossa aluna era um desses casos, tal como previra o director de turma. Quando chegou a vez de atribuir as avaliações sumativas às várias disciplinas pelo conselho de turma, verificou-se que, segundo as propostas apresentadas, a aluna ficaria com três níveis inferiores a três, acumulando Língua Portuguesa e Matemática, o que resultava em não aprovação. Tendo em conta o sucedido na reunião com os encarregados de educação ocorrida no final do segundo período (e não só), a professora de Língua Portuguesa apresentou todos os dados referentes à avaliação da aluna na sua disciplina. O director de turma descobriu então que, no que se refere a avaliações escritas (vulgos testes), a aluna não tinha tido nenhuma positiva no segundo período, ao contrário do que tinha referido a sua mãe. Na realidade, nesse tipo de avaliação, tinha tido unicamente uma positiva no primeiro teste do ano lectivo, e todos os restantes tinham sido negativos, e na maior parte deles, inequivocamente negativos. Para além disso, em todos os outros parâmetros da avaliação da aluna, a mesma era insuficiente; e na prova global obteve nível dois. Por outro lado, havia a questão do empenho. Neste aspecto, era opinião geral do conselho de turma que a aluna tinha capacidade para não ter qualquer nível inferior a três, e se o tinha era manifestamente devido à sua gritante falta de empenho. Aprová-la nestes moldes seria premiar a preguiça.
Confiante que tinha sido feita justiça no que concerne à avaliação da aluna, o director de turma ficou completamente confuso no que diz respeito a todos os acontecimentos ocorridos no final do segundo período, princípio do terceiro, com a aluna e a sua encarregada de educação.
Para terminar, a aluna que tinha estado envolvida na quezília ocorrida no terceiro período com a nossa aluna, e sobre quem a mãe da última pediu informações sobre as hipóteses de aprovação, foi aprovada.
(Cenas do próximo episódio: o director de turma recebe a mãe da nossa aluna, após esta saber da não aprovação da última)