Aproximando-se a reunião de avaliação do final do ano lectivo, o director de turma, ciente que grande parte dos alunos da turma iriam ficar não aprovados, ia recolhendo algumas informações em relação a alguns deles, sobretudo aqueles que se encontravam em dúvida no que concerne à aprovação, ou não aprovação. Um dos alunos nesta situação era a nossa aluna. De facto, após ter tido três níveis inferiores a três no segundo período, a mesma necessitava de subir um desses níveis. Tendo em conta que iria ter, com grande grau de certeza, nível dois a duas disciplinas, uma delas matemática (visto que tinha, de alguma forma, desistido nestas duas disciplinas), restava-lhe a outra disciplina, no caso Língua Portuguesa, disciplina cuja avaliação a sua encarregada de educação tinha posto em causa no fim do segundo período.
O director de turma, perante os factos ocorridos, acreditava que a aluna com um pouco mais de esforço conseguiria nível três a essa disciplina, e assim obter a aprovação de final de ciclo. No entanto, o director de turma não tinha conhecimento da avaliação da aluna da disciplina, daí que a sua suposição carecia de fundamentação e de certeza.
Deste modo, num jantar realizado poucos dias antes da reunião de avaliação, com os professores e alunos da turma, jantar organizado pelos últimos, e tendo ficado o director de turma ao pé da nossa aluna, no meio da conversa que decorreu durante o jantar, o director de turma questionou a aluna sobre as suas perspectivas para a sua aprovação no final do ano. A aluna, para espanto e desalento do director de turma, disse ter más perspectivas, pois, para além de não ter conseguido melhorar a avaliação de Língua Portuguesa, tinha piorado numa outra disciplina, podendo assim ter quatro níveis inferiores a três no final do ano. Era uma péssima notícia para o director de turma, pois mesmo que na disciplina em que tinha piorado conseguisse nível três, continuaria com três níveis inferiores a três, tendo cumulativamente Língua Portuguesa e Matemática, o que no fim de ciclo resultaria em não aprovação.
Era com estas preocupações que o director de turma iria receber no dia seguinte a mãe da aluna, para que esta desse o parecer sobre uma possível não aprovação da sua educanda, parecer este necessário visto que a aluna iria ser submetida a avaliação especializada, pois corria risco de retenção repetida em fim de ciclo (caso único na turma).
Quando o director de turma recebeu a encarregada de educação e lhe explicou a razão da sua convocatória, a mãe ficou um pouco surpresa com a hipótese da sua educanda ficar não aprovada (apesar da aluna ter tido cinco níveis inferiores a três no primeiro período, e três no segundo, sempre acumulando Língua Portuguesa e Matemática). Perante a estupefacção da mãe da aluna, o director de turma perguntou-lhe se a última não tinha falado com ela sobre o assunto, ao que a mãe respondeu negativamente. Nesta situação o director de turma ficou perante um dilema complicado: por um lado a aluna tinha-lhe dito que iria ficar não aprovada, e a mãe deveria ser informada da forte hipótese de tal acontecer; por outro lado, sentia que iria trair a confiança da aluna, ao dizer à mãe aquilo que a sua filha lhe tinha dito. Perante tal dilema, o director de turma, sem nunca dizer o que a aluna lhe tinha dito, apresentou-lhe o cenário. Que a sua educanda tinha dois níveis inferiores a três confirmados (a Matemática e outra disciplina), e que estava dependente das avaliações sumativas da disciplina de Língua Portuguesa e outra, não sendo a última determinante, pois mesmo que nesta tivesse nível três, uma avaliação sumativa de nível dois a Língua Portuguesa seria suficiente para a sua não aprovação. O mais preocupante é que havia mais possibilidades de obter nível três à outra disciplina que à de Língua Portuguesa (pois nesta tinha tido nível dois nos dois primeiros períodos, e na outra tinha tido nível três no segundo período, apesar do nível dois no primeiro).
A encarregada de educação não aceitou bem a possibilidade da sua educanda não obter aprovação, dando um parecer pouco favorável a essa hipótese, embora fracamente fundamentada (qualquer coisa como que havia alunos piores que ela na turma... não era por acaso que se temia uma taxa de não aprovações na ordem dos 50%).
Na parte final da reunião com o director de turma, reunião que, apesar de tratar de um assunto melindroso, correu de uma forma muito cordial, a mãe da nossa aluna questionou o director de turma sobre as hipóteses de aprovação da aluna que tinha estado envolvida no conflito acontecido com a sua filha (episódio 4), não fazendo porém alusão ao incidente, referindo a aluna pelo seu nome próprio. Espantado e intrigado com a questão, o director de turma, no entanto, respondeu que estava numa situação similar ao da sua filha, não se sabendo ainda se iria obter aprovação, ou não.
(Cenas do próximo episódio: na reunião de avaliação do final do ano lectivo, o director de turma fica a conhecer e a perceber a avaliação sumativa de Língua Portuguesa)
Publicado por asampacheco em dezembro 6, 2003 06:31 PM