Nos primeiros dias do ano lectivo, o Conselho de Turma registou que a aluna estava mudada relativamente ao ano anterior. Apresentava uma excelente assiduidade, descansando, de alguma forma, o director de turma em relação às suas preocupações nesse campo. Apesar da aluna continuar a demonstrar um feitio um pouco "torcido", este era, por ela, controlado, levando a que os professores registassem o facto com alegria. Na realidade, nos dois primeiros períodos só se registaram dois problemas com a aluna, sendo unicamente um deles de índole disciplinar. O primeiro foi um simples equívoco: certo dia, sensivelmente a meio do primeiro período, alguns alunos informaram a aluna em causa, em frente ao director de turma, que ela tinha tido falta a uma das disciplinas, aula a que ela tinha assistido. Perante a estupefacção da aluna, o director de turma perguntou-lhe se havia algum problema. A aluna respondeu que, havia algumas aulas, a professora da dita disciplina tinha verificado que alguns alunos tinham pastilha elástica (algo proibido na escola em questão - Regulamento Interno), e que os tinha mandado deitar fora. No entanto, poucas aulas depois, o mesmo sucedeu, e perante tal facto a professora marcou falta a esses alunos. O problema é que ela nem sequer tinha pastilha elástica, limitou-se a tomar um comprimido para as dores de garganta, visto estar adoentada. Perante tal facto, o director de turma, primeiro explicou à aluna que, antes de tomar o dito comprimido, deveria tê-lo pedido à professora, pois esta não é polícia, nem omnipresente, portanto, pode cometer um juízo errado na observação de uma situação; e, em seguida, disse-lhe que iria falar com a professora sobre o sucedido.
Antes ainda de encontrar a dita professora, surge a mãe da aluna na escola, muito perturbada, pois a aluna tinha-lhe contado o sucedido. Estava muito revoltada, e trazia um atestado médico a demonstrar a necessidade da aluna tomar os referidos comprimidos. Perante a situação, o director de turma disse à encarregada de educação que ainda não tinha falado com a professora, logo não poderia fazer mais nada que ficar com o atestado, e que depois a informaria sobre o caso.
Quando o director de turma encontrou a professora soube, visto que ela tinha os registos diários das aulas, que a aluna tinha falta numa aula a que realmente tinha faltado, e que ninguém tinha tido falta por, alegadamente, estar a mascar pastilha elástica. Perante tal facto, o director de turma pediu que a mãe da aluna fosse à escola, onde tudo ficou esclarecido.
O segundo acontecimento foi de alguma gravidade, e está de alguma forma ligado à têmpera da aluna. Numa das aulas de uma das disciplinas, a aluna foi insolente, levando uma situação insignificante ao extremo, transformando-a numa afronta à autoridade do professor. Perante tal facto o professor optou por levar a aluna para a biblioteca, visto que ele ficou de tal forma perturbado com a situação, que chegou a ser desagradável com a aluna.
Perante a participação disciplinar, entregue pelo professor em causa, o director de turma convocou a encarregada de educação da aluna, a quem iria informar do caso, mas não o valorizando muito, visto que o próprio professor da disciplina tinha afirmado que, como era a primeira vez que tal situação sucedia, a conversa com a mãe da aluna bastaria para que fosse a última.
Quando a mãe chegou à escola já ia extremamente perturbada. A aluna tinha-lhe contado o sucedido (a sua versão), e a mãe tomou o partido da sua filha não ouvindo mais nada. Apesar de o director de turma lhe ter explicado que a reacção exagerada do professor foi resultado do que a aluna tinha feito (concordando a mãe, que a sua filha tinha um feitio complicado), a mãe simplesmente não quis perceber, pois provavelmente nunca teria perdido a cabeça numa situação de extremo emocional! (facto que a aluna compreendeu perfeitamente em conversa com o director de turma, mais tarde). Por outro lado, o director de turma explicou à encarregada de educação que, em termos educacionais, era muito importante a aluna compreender a sua falha; por um lado para evitar que tal pudesse voltar a acontecer e, mais importante, em termos de formação pessoal da aluna, no que concerne à responsabilização pelos seus actos. Tudo foi infrutífero, e a conversa por aí ficou.
(Cenas do próximo episódio: primeiros acontecimentos realmente importantes)